EM SILÊNCIO

Raimundo Palhano
(relatório de viagem 4)

Fito as estradas reais e imaginárias.
O tempo transcorrido e os suores derramados.
Lembro sorrisos e lágrimas.
Amores e falta deles.
Solidões caudalosas como rios apressados.
Segredos guardados dentro de mim, inconfessáveis.
Angústias e tormentos.
Dúvidas atrozes.
Em silêncio fico sem saber o começo e o fim.
Por onde tudo acaba ou acabará.
Por onde começar a resolver os problemas do mundo,
antes de conhecer os meus próprios.
E minha alma se apavora
ante o volume da gota d’água,
os gases dos canos de descarga,
a decadência social que não consegue explicar.
Permaneço em silêncio,
exausto, atento, perplexo.
Cansado da viagem.
Sem saber se ainda há tempo para prosseguir.
Para onde?
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