VIDAS

Raimundo Palhano
(relatório de viagem, 5)

Quase onze horas de mais um domingo.
Da janela do cômodo vejo um conjunto de casas,
uma ciranda de telhados,
que parecem muito unidos e calmos. Apesar do sol intenso.
Mais além dos telhados vislumbro a linha das águas do
Bacanga,
que de longe soam paradas,
mas que,
na verdade,
estão deslizando em correnteza,
indo com muita pressa.
A despeito do silêncio, há vida.
Há vida.
O sol começa a brilhar mais.
Noto que há muita gente na rua. Ouço passadas e passados.
O vento pousa silenciosamente sobre as árvores, lá fora.
Ouço também o latido dos cães,
que não perturbam alguns pombos, que se beijam no telhado.
As nuvens do alto parecem observar, em silêncio, essas vidas.
Eu tento, antes de fechar a janela .
Both comments and trackbacks are currently closed.
%d blogueiros gostam disto: