O SOPRO

Raimundo Palhano
(relatório de viagem, 2)

O vento caminha forte,
buscando suavisar tempestades impacientes,
soprando velas de aniversário
e nenhuma pedra se movendo,
e nenhum osso se mexendo,
só as células vertebradas do ar.
Células do ar que apenas vi de passagem,
formando esqueletos peculiares,
uma outra humanidade,
entre lembranças e esperanças,
passadas a limpo por quase nada.
Como se fosse possível
estimar o valor de pedras se movendo,
ou do vento se esforçando,
persistindo em suavisar minhas noites.
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