MARANHÃO DEMOCRÁTICO

 

Raimundo Palhano

 

1 – PREÂMBULO

“Maranhão Democrático” era a primeira das 12 macro-diretrizes do novo plano de governo do candidato Jackson Lago, cujo mandato de governador foi interrompido em abril de 2009 por força de um golpe judicial.

Retomar o governo tendo como premissa essencial a democratização do estado e da sociedade maranhense, em todas as sua esferas, continua sendo uma conquista inadiável, mesmo se sabendo tratar-se de uma opção extremamente ousada, pois voltada ao enfrentamento do maior dos desafios políticos do Maranhão: reacender na população a crença em futuro melhor e a convicção de que o fundamento da política é a conquista do bem comum do povo.

Como agir, os que comandam um governo, para que a sociedade inclusiva volte a acreditar na sua força e na sua capacidade de romper todos os grilhões e amarras que, por anos a fio, comprometeram sua liberdade e os seus sonhos mais relevantes?

 

2 – RELEVÂNCIA TEMÁTICA

Enquanto obra da filosofia e da engenharia política, a democracia continua sendo a mais desafiadora das utopias humanas, mesmo na era atual, marcada pela quebra irreversível de paradigmas clássicos que explicavam a vida social e a dinâmica política.

Permanece atualíssima porque lida com uma das questões mais difíceis, que é justamente como tornar real as crenças democráticas que informam a idéia de justiça, equidade e bem comum do povo, pilares da idéia republicana.

A presença da democracia no contexto maranhense ainda representa uma aspiração distante. É um Estado brasileiro que está no extravio há muito tempo. O torrão maranhense padece de uma espécie de síndrome da decadência e do atraso, a ponto de ainda hoje continuar sob o manto de donatários, a despeito dos avanços materiais e da modernização induzida pelo movimento de expansão capitalista em seu território.

Não há como negar que a conquista da democracia representa praticamente a única saída para colocar o Maranhão na história, no mundo moderno, para desenvolver a sua economia em escala humana, colocar o povo como soberano e garantir um poder público capaz de satisfazer as aspirações e necessidades da população maranhense.

Ficará para a história do povo maranhense a experiência interrompida dos fóruns do governo com a sociedade civil e movimentos sociais, durante o período Jackson Lago. Em tais ocasiões, o comandante do executivo, completamente despojado de seus aparatos institucionais, se colocava como parceiro dos movimentos sociais das várias regiões maranhenses para diagnosticarem e programarem ações voltadas à melhoria das condições e da qualidade de vida do povo.

O tralho realizado pela Secretaria de Planejamento e Orçamento na direção da remodelagem da gestão pública estadual, baseada em uma nova regionalização territorial e na descentralização administrativa, colocava o cidadão e a cidadã como sujeitos de direitos e com capacidade de decidir sobre os destinos do seu município e de sua região.

Processos como estes, altamente revolucionários em relação às formas tradicionais de gestão pública, quebrariam, em pouco tempo, as bases de sustentação do sistema oligárquico tradicional, pois as novas institucionalidades resgatariam a soberania popular e colocariam o povo no poder e com isso certamente contribuiriam para a dissolução dos currais eleitorais e de todas as formas atrasada de dominação política local.

 

 

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