REVIVÊNCIA

Raimundo Palhano

 

 

Nasci em um sábado ao meio dia.

Meio perdido entre dedos humanos.

Puxa-vida!

E agora, ao meio dia de quarta-feira, onde nascerei?

Que outros pais ouvirão meu choro de espanto diante do mundo,

se os que me fecundaram partiram para viver a morte?

A quem recorrerei para que explique o que sou,

se não mais nascerei?

A quem devo perguntar sobre o meu passado,

se a minha memória ainda não se refez?

Preciso saber o que perdi por onde andei.

Necessito conhecer o que achei por onde permaneci.

Se deste composto de moléculas,

dezenas de vezes encontradas entre achados e perdidos,

restou algum sinal do clarão da manhã.

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